Intelectuais e apoio ao conhecimento na Era Helenística

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Cabeça de mármore de homem com barba, cópia romana de uma figura desconhecida do período grego.
Século 2 d.C. MET. N° 1993.342

Tradução feita a partir de artigo publicado no site do MET, o texto original pode ser conferido aqui. Ele foi escrito por Colette Hemingway e Seán Hemingway, do departamento de arte greco romana do museu, e publicado em abril de 2007. O texto não possuí bibliografia, mas os autores adicionaram uma lista de leituras recomendadas. Essa lista foi colocada abaixo nas referências biliográficas. Várias imagens fotos adicionadas para tornar o texto mas ilustrativo.

As Escolas filosóficas

Durante todo o período helenístico (323-31 a.C.), Atenas permaneceu o principal centro para o estudo da filosofia, promovendo várias escolas filosóficas famosas. A primeira a ser estabelecida no século 4 a.C. foi a Academia de Platão e o Liceu de Aristóteles, este último um lugar para caminhar, construído em um bosque sagrado para Apolo Liceu.

Escola de Atenas, do pintor renascentista italiano Rafael. Foi pintada entre 1509 e 1511 em uma sala privada do Vaticano. No centro da imagem Platão e Aristóteles conversam.

Na segunda metade do século 4 a.C., Zeno de Cítio (335-263 a.C.) estabeleceu sua escola estóica de filosofia, nomeada a partir do local de ensino, a stoa na Ágora ateniense. Na mesma época, Epicuro desenvolveu sua escola filosófica chamada O Jardim, nomeada em homenagem ao jardim de Atenas, onde ele havia ensinado.

Busto de mármore do filósofo Zeno de Cítio. Cópia romana do original do século 3 a.C. Museu de Nápoles.Cabeça de mármore da época romana representando Epicuro. Séc 2 d.C. Numerosas cópias romanas reproduzem o mesmo original, que deve ter sido feito durante sua vida ou logo após sua morte. MET. N° 11.90A Stoa de Atenas no século 4-3 a.C., onde Zeno de Cítio costumava ensinar. Reconstrução do site Ancient Athens 3D.

As escolas, como alguns de seus nomes sugerem, não era tanto prédios, mas um conjunto de pessoas compartilhando uma filosofia de vida semelhante. Elas se dedicavam a produzir e transmitir conhecimento.

Os cínicos eram um outro grupo filosófico que não tinha lugar de encontro. Em vez disso, eles vagavam pelas ruas e espaços públicos de Atenas. Mas as duas escolas de pensamento que dominaram a filosofia helenística foram o estoicismo, introduzido por Zeno de Cítio, e os escritos de Epicuro.

Nota do AH: Se você ainda não sabe o que e Epicurismo e Estoicismo, confira esses dois vídeos: Epicuro e Estoicismo.

O estoicismo, que também foi grandemente enriquecido e modificado pelos sucessores de Zeno, especialmente Crísipo de Solos (280–207 a.C.), dividia a filosofia em lógica, física e ética. Epicuro, por outro lado, colocou grande ênfase no indivíduo e na obtenção da felicidade.

As escolas atenienses de filosofia eram instituições verdadeiramente cosmopolitas. Professores e estudantes de toda a Grécia e Roma vieram até elas para estudar. Além da filosofia, os alunos estudavam retórica (a arte de falar em público), matemática, física, botânica, zoologia, religião, música, política, economia e psicologia.

 

Reis helenísticos e o apoio aos intelectuais

Em outras partes do mundo helenístico, os governantes da corte macedônia de Pela e da dinastia selêucida de Antioquia apoiavam a busca do conhecimento atuando como benfeitores dos intelectuais. De muitas maneiras, esse tipo de clientelismo se desenvolveu primeiro em Alexandria, Egito, onde os reis ptolemaicos criaram um renomado centro intelectual durante o período helenístico primitivo.

A Biblioteca de Alexandria em representação do jogo Assassin's Creed Origins.

Filósofos, escritores e outros estudiosos proeminentes estudaram na Biblioteca e Mouseion de Alexandria, um instituto de aprendizagem que é a raiz da moderna palavra museu.

Ali, os acadêmicos copiaram e codificaram obras anteriores, como a Ilíada de Homero e a Odisséia. Eles escreveram comentários, compilações e até enciclopédias. Eles também tinham acesso um ao outro e, muito provavelmente, eram alimentados e alojados às custas do rei.

Essa cabeça de mármore é de uma rainha do Egito Ptolomaico. Acredita-se que seja uma representação da rainha Arsínoe II (316-270 a.C.), e é um bom exemplo do nível de realismo atingido pela arte helenística. MET. N° 2002.66

Na última parte do século 3 a.C., os reis da dinastia Atálida de Pérgamo emularam as dinastias ptolomaicas construindo sua própria biblioteca, que atraiu artistas e intelectuais de Atenas e Alexandria para sua corte real.

Literatura helenística

O período helenístico foi uma época de ouro da poesia grega, cujos praticantes facilmente se adaptaram aos grandes poemas líricos dos períodos grego, arcaico e clássico.

A literatura também floresceu. Um escritor, Calímaco de Cirene, é creditado como tendo escrito mais de 800 livros! Embora relativamente pouca literatura helenística tenha sobrevivido, muito pode ser extraído da literatura romana, que foi significativamente influenciada pelos escritores gregos.

De modo geral, o drama era menos popular no período helenístico do que nos tempos clássicos, embora Menandro (344-291 a.C.), um escritor cômico de Atenas, fosse uma exceção prolífica. Suas peças incorporavam novas formas de apresentar e discutir a vida do indivíduo e da família.

Menandro. Busto de mármore romano, cópia de original grego. Museu do Vaticano. Via Wikimedia Commons.

Avanço científico

No período helenístico, tremendos avanços foram feitos na compreensão científica. No século 4 a.C., Euclides de Alexandria (325–250 a.C.) escreveu um livro de matemática elementar que se tornaria o livro padrão por mais de 2.000 anos.

O matemático Apolônio de Perga (262-190 a.C.) estabeleceu a terminologia e metodologia canônica para seções cônicas. E Arquimedes de Siracusa (287-212 a.C.), que muitos consideram o maior matemático da antiguidade, fez importantes contribuições para a engenharia, incluindo máquinas maravilhosas que foram usadas contra os romanos no cerco de Siracusa em 212 a.C.

Outro inventor helenístico, Ctesíbio de Alexandria (296-228 a.C.), foi o primeiro a criar máquinas hidráulicas, das quais as mais famosas foram seus relógios de água (veja abaixo).

Na segunda metade do século 2 a.C., o astrônomo Hiparco (190-120 a.C.) transformou a astronomia matemática grega, de uma ciência descritiva em uma ciência preditiva. Seu trabalho forneceu a base para o tratado sistemático de treze volumes de Ptolomeu de Alexandria sobre astronomia, publicado em meados do século 2 d.C.

Ptolomeu de Alexandria. Essa é uma ilustração moderna feita em 1584, mais de 1200 após a morte de Ptolomeu. Deve ser considerada uma imagem puramente ilustrativa, já que reflete muito mais o ideal do intelectual do século 16, e não tem qualquer pretensão realista. Não existem representações da época. Via Wikimedia Commons.

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Fontes bibiliográficas:

Casson, Lionel. Libraries in the Ancient World. New Haven: Yale University Press, 2001.
Long, A. A., and D. N. Sedley. The Hellenistic Philosophers. New York: Cambridge University Press, 1987.
Pollitt, Jerome J. Art in the Hellenistic Age. Cambridge: Cambridge University Press, 1986.
Zanker, Paul. The Mask of Socrates: The Image of the Intellectual in Antiquity. Berkeley: University of California Press, 1995.

Artigo publicado em 04/05/2019.



Foto de membro da equipe do site: Moacir Führ

Postado por

Moacir Führ

Moacir tem 32 anos e nasceu em Porto Alegre/RS. É graduado em História pela ULBRA (2008-12) e é o criador e mantenedor do site Apaixonados por História desde 2018.

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