Medicina no período greco-romano: Uma introdução

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Pintura francesa do século 19 mostrando o médico Erasístrato de Ceos (século 3 a.C) um dos fundadores da Escola de anatomia de Alexandria. Pintor Alexandre-Charles Guillemot. Via Wikimedia Commons.

Tradução feita a partir de artigo publicado no site do MET, o texto original pode ser conferido aqui. Ele foi escrito por Colette Hemingway, e publicado em outubro de 2004. O texto não possui bibliografia, mas a autora adicionou uma lista de leituras recomendadas. Essa lista foi colocada abaixo nas referências biliográficas. Várias imagens foram adicionadas para tornar o artigo mais ilustrativo.

A medicina na antiguidade clássica era um conjunto de crenças, conhecimento e experiência. O que sabemos das primeiras práticas médicas baseia-se em evidências arqueológicas, especialmente de sítios romanos - instrumentos médicos, objetos votivos, selos de prescrição, etc. - e de antigas fontes literárias.

Instrumento médico romano. Esta espátula de bronze era um instrumento farmacêutico, e não estritamente cirúrgico. MET. N° 74.51.5509Instrumento médico cipriota. Colher usada para extração de pomadas, bálsamos e pós de tubos e caixas. MET. N° 17.230.110Instrumento médico cipriota. A extremidade afiada da sonda de ouvido era usada para instilar líquidos no ouvido. Uma grande bola de lã saturada com o medicamento líquido era colocada dentro da sonda. Ao apertar a lã, o líquido era direcionado para baixo pelo eixo do instrumento e para dentro do ouvido. MET. 74.51.5491.

A maioria das evidências literárias é preservada em tratados atribuídos ao médico grego Hipócrates (c. 460-370 a.C.) e ao médico romano Galeno (c. 129/199-216).

Desde os primeiros tempos, os tratamentos envolviam encantamentos, invocando os deuses e o uso de ervas mágicas, amuletos e encantos. Vendedores de drogas, cortadores de raízes, parteiras, treinadores de ginástica e cirurgiões ofereciam tratamento e aconselhamento médico.

Estátua helenística cipriota mostra cena de parto com a mãe e o filho. Acredita-se tratar de um objeto votivo oferecido como agradecimento. Note a senso de exaustão vívido que a imagem da mãe reclinada transmite. MET. N° 74.51.2698

Na ausência de qualificações formais, qualquer indivíduo podia oferecer serviços médicos, e evidências literárias para a prática médica precoce mostram médicos trabalhando duro para distinguir suas próprias idéias e tratamentos dos de seus concorrentes. As raízes da medicina grega eram muitas e incluíam idéias assimiladas do Egito e do Oriente Médio, particularmente a Babilônia.

Detalhe de médico esculpido em um sarcófago romano. Sua profissão pode ser identificada pelo estojo aberto contendo ferramentas cirúrgicas no topo do armário. Há outros pergaminhos e uma bacia para pacientes com hemorragia dentro do armário, o que oferece mais uma prova de sua profissão. O estilo de sua roupa e a linguagem da inscrição indicam que ele era um dos muitos gregos que viviam na Itália.  Século 4-3. MET. N° 48.76.1

Os médicos freqüentemente viajavam de cidade em cidade, mas há poucas evidências que sugiram que eles fossem contratados para prestar assistência gratuita à população em geral. Em Roma, por exemplo, onde a medicina tradicional italiana competia com as importações estrangeiras, muitos médicos eram gregos.

Qualquer um poderia praticar a medicina, embora a maioria fosse de cidadãos livres. O treinamento médico na Grécia e Roma antigas podia tomar a forma de aprendiz para outro médico, participação em palestras médicas ou mesmo demonstrações públicas de anatomia.

Na Grécia e Roma antigas, Asclépio era reverenciado como o deus patrono da medicina. Dois dos mais famosos santuários de cura dedicados a esse deus estavam em Epidauro e na ilha de Kos. O sucesso do culto de Asclépio na antiguidade se deve à sua acessibilidade - embora fosse o filho de Apolo, ele ainda era humano o suficiente para tentar impedir a morte.

Reconstrução do Templo de Asclépio na ilha grega de Kos. Ilustração moderna, autor desconhecido.Maquete com reconstrução do Templo de Asclépio em Epidauro. Museu de Ciências de Londres.

Aqueles que buscavam uma cura nos templos erguidos para ele eram submetidos a purificações rituais, jejuns, orações e sacrifícios. Uma característica central do culto e do processo de cura era conhecida como incubação, durante a qual o deus aparecia ao aflito em um sonho e prescrevia um tratamento.

Estátua de Asclépio, cópia romana de um original grego do século 4 a.C., presente no Santuário de Asclépio em Epidauro.  Museu Arqueológico de Atenas. Via Wikimedia Commons.

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Fontes bibiliográficas:

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Scarborough, John. Roman Medicine. Ithaca, N.Y.: Cornell University Press, 1969.

Artigo publicado em 06/07/2019.



Foto de membro da equipe do site: Moacir Führ

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Moacir Führ

Moacir tem 32 anos e nasceu em Porto Alegre/RS. É graduado em História pela ULBRA (2008-12) e é o criador e mantenedor do site Apaixonados por História desde 2018.

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