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Para que serviam os vasos gregos?

História da Grécia Antiga por Moacir Führ

Capa do artigo: Para que serviam os vasos gregos?

Vasos gregos da coleção do Museu Britânico. Foto presente no item de N° 1836,0224.127

Essa é uma dúvida comum que surge sempre que alguém começa a estudar a História da Grécia Antiga, e se depara com as maravilhas que são as artes desenhadas nos vasos desse período.

Os vasos gregos eram feitos em vários tamanhos e formatos diferentes e a sua decoração artística, com desenhos retratando cenas da mitologia e da História, os tornam importantes fontes sobre o período.

Para esclarecer as dúvidas que giram em torno da sua funcionalidade, apresento a vocês um texto retirado de uma obra sobre a arte da Grécia Antiga (mais informações na bibliografia). Fiz apenas algumas leves pequenas alterações no texto para facilitar a leitura, e adicionei muitas ilustrações:

Os gregos fabricavam vasos com decoração pintada para servir a quatro finalidades principais:

1. Como recipientes e jarros de armazenagem de ampla capacidade

Nos quais se guardavam água, vinho, azeite e mantimentos secos. A vasilha de duas asas chama-se ânfora, e a de três asas (duas dos lados para levantá-la e uma nas costas para auxiliar o movimento de despejar o conteúdo), usada somente para água, chama-se hídria.

Ânfora de figura negra de 530-525 a.C. Aquiles matando Pentesiléia. Atribuída a Exékias. Encontrada em Vulci. 41 cm de altura. Museu Britânico. N° 1836,0224.127Hídria de figura negras do final do período arcaico. Cerca de 510 a.C. 37 cm de altura. MET. N° 06.1021.77


2. Como equipamento para refeições festivas

Os gregos bebiam seu vinho diluído com água; necessitavam, portanto, de um recipiente de boca larga, chamado cratera, no qual misturavam os dois líquidos, e de um jarro menor, a enôcoa, que mergulhavam na cratera e usavam para servir cada conviva numa delicada taça chamada kúlix, ou uma caneca mais modesta, o skúphos.

Cratera para misturar vinho e água. Cerca de 550 a.C. MET. N° 31.11.11Enócoa do período Arcaico. Cerca de 625 a.C. 35 cm de altura. Museu Getty. N° 81.AE.83Kúlix do período Clássico. Cerca de 490 a.C. 12 cm de altura por 31 de diâmetro. Museu Britânico. N° 1850,0302.2Taça Skúphos (skyphos) de cerca de 330-300 a.C. 32 cm de altura. MET. N° 06.1021.238


3. Como recipientes de uso relacionado com o adorno pessoal

O azeite de oliva era muito importante na vida grega, não só na culinária como na iluminação, na limpeza do corpo e como base para perfumes. Um lécito podia conter até um litro ou mais de azeite, e seu gargalo estreito e longo servia para restringir o fluxo.

Lécito (lekythos) de cerca de 450 a.C. 35 cm de altura. Museu Getty. N° 71.AE.442

Um alabastro era um pequeno frasco elipsoidal alongado, de gargalo muito curto e boca com borda em forma de disco, com o qual urna mulher podia borrifar-se com algumas gotas de perfume. Ainda menor e mais arredondado era o aribalo, equipado com uma tira de couro para poder ser transportado pendente da cintura e usado pelos homens para se friccionarem com azeite de oliva depois dos exercícios físicos.

Alabastro (vaso de perfume) do século 6 a.C. 18 cm de altura. MET. N° 1981.11.7Aribalo (aryballos) do período Arcaico, cerca de 570 a.C. 8 cm de altura. MET. N° 26.49


4. Como vasos especiais para uso em rituais

Por exemplo, o lutróforo era usado para carregar a água do banho ritual da noiva, antes do casamento. Por vezes, um modelo em pedra de um lutróforo era colocado no túmulo de uma pessoa solteira.

Lutróforo (loutrophoros) do século 6 a.C. 70 cm de altura. MET. N° 27.228

Azeite de oliva era freqüentemente ofertado aos mortos num lécito coberto com uma pintura efêmera inadequadamente delicada para o uso cotidiano. Tais lécitos de fundo branco eram ocasionalmente feitos com falsos gargalos, de tal modo que era preciso encher de azeite apenas uma pequena parte no topo do gargalo para se ter a impressão de que todo o recipiente estava cheio; um engenhoso método de economizar.

Lécito (lekythos) de cerca de 440 a.C. MET. 37 cm de altura. N° 1989.281.72

No século 18, quando o estudo moderno da cerâmica antiga se iniciou, todos esses recipientes receberam o nome genérico de "vasos". Essa designação convencional persistiu até hoje, apesar do fato de a cerâmica grega ter servido a funções puramente utilitárias, sendo casualmente usada para decoração e quase nunca como suporte a flores.

E qual era a finalizadade das pinturas?

Outra dúvida que pode surgir é a razão dos gregos se darem ao trabalho de fazer elaboradas pinturas em seus vasos. Podemos fazer algumas suposições sobre os motivos por trás dessa prática.

A concorrência com outros produtores: A cerâmica da Ática (península onde ficava a cidade de Atenas) era a maior produtora de vasos do período clássico, mas a cerâmica de Corinto também era muito conhecida. É natural supor que houvesse uma grande concorrência entre ambas, e a produção de itens com uma qualidade artística superior pode ter estimulado a utilização da cerâmica ateniense, que é a mais comum nesse período.

Oferecer produtos diferenciados para um mercado de luxo:  a maioria dos vasos de cerâmica utilizado na antiguidade não era pintada e não recebia nenhum tipo de tratamento especial. Os vasos pintados que sobreviveram eram aqueles utilizados por uma classe de pessoas mais ricas, grandes proprietários de terra e mercadores, que buscavam um vaso de aparência diferenciada que, não só atendesse uma função específica, mas também pudesse ser valorizado pela sua beleza.

De quaquer forma, utilizar cerâmica pintada com desenhos elaborados foi uma prática grega que caiu em desuso no período romano.

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Fontes bibiliográficas:

WOODFORD, Susa. História da Arte da Universidade de Cambridge: Grécia e Roma. São Paulo: Círculo do Livro, 1987.

Artigo publicado em 13/08/2019.



Foto de membro da equipe do site: Moacir Führ

Escrito por

Moacir Führ

Moacir tem 32 anos e nasceu em Porto Alegre/RS. É graduado em História pela ULBRA (2008-12) e é o criador e mantenedor do site Apaixonados por História desde 2018.

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