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Babilônia: A Mesopotâmia e o Nascimento da Civilização

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Capa do livro Babilônia: A Mesopotâmia e o Nascimento da Civilização, de Paul Kriwaczek
Autor: Paul Kriwaczek
Título original: Babylon: Mesopotamia and the Birth of Civilization
Páginas: 382
Editora: Zahar
Ano da edição: 2018
Idioma: Português

Sinopse:

Em Babilônia, Paul Kriwaczek conta a história da antiga Mesopotâmia, desde as primeiras povoações, em torno de 5400 a.C., até a chegada dos persas no século VI a.C. O autor faz a crônica da ascensão e queda do reino babilônico durante esse período e analisa suas numerosas inovações materiais, sociais e culturais.

O povo da Mesopotâmia lançou as bases do que hoje conhecemos como civilização – com o nascimento da escrita, do estado centralizado, da divisão do trabalho, da religião organizada, da matemática e da lei, entre muitas outras coisas fundamentais que nos servem até hoje. Nas cidades que construíram se desenrolou metade da história humana.

No cerne da magistral narrativa de Kriwaczek está a glória da Babilônia — “o portal dos deuses” —, que teve seu apogeu no reinado do soberano amorita Hamurábi, que unificou a cidade entre 1800 e 1750 a.C. Embora o poder babilônico viesse a crescer e depois declinar nos séculos seguintes, a Babilônia preservou sua importância como centro cultural, religioso e político por mais de 4 mil anos.


Análise do livro

KRIWACZEK, Paul. Babilônia e o nascimento da civilização. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 2018.

Babilônia - A Mesopotâmia e o nascimento da civilização é um livro sobre a civilização Mesopotâmica que se desenvolveu no Oriente Médio entre 4000-539 a.C. A primeira vez que li essa obra foi em agosto de 2018, mas agora (maio de 2022) decidi fazer uma segunda leitura para produzir anotações mais detalhadas para futuras pesquisas.

Confira abaixo o conteúdo de cada um dos dez capítulos do livro:

Os capítulos do livro:

 

1 - Lições do passado: uma introdução: Informações gerais introdutórias.

2 - A realeza desce do céu: a revolução urbana (antes de 4000 a.C.): Eridu e Uruk, as primeiras cidades e o início da civilização suméria.

3 - A cidade de Gilgamesh: a regra do templo (entre 4000 e 3000 a.C.): Uruk, Gilgamesh, as primeiras invenções, o início do comércio internacional, as primeiras indústrias, a invenção dos selos cilíndricos e da escrita cuneiforme.

4 - O dilúvio uma cesura da história: A história do dilúvio mesopotâmico. A descoberta da história por George Smith.

5 - Homens grandes e reis: as cidades-estado (3000 a 2300 a.C.): O dia a dia na Suméria. Os primeiros exércitos das cidades, a estela dos abutres. A tumba real de Ur e os seus achados.

6 - Soberanos dos quatro cantos da terra: a heróica idade do bronze (2300-2200 a.C.): A ascensão acádia. O império de Sargão e Naram-Sin. A Idade do Bronze. Enheduana e seus cantos litúrgicos. Os acádios no poder. A invasão dos Guti e a queda do império e suas causas.

7 - Ressurgimento sumério: o estado dirigista (2100-2000 a.C.): Sobre Ur III. Capítulo horrível, quase de leitura insuportável de tanta bobagem que foi escrita. Autor fala o tempo todo do comunismo da URSS e da China de Mao tentando fazer relações com a economia intervencionista de Ur. O Código de Ur-Nammu e Ur III. O sistema Bala. O zigurate de Ur e o governo de Shulgi. A queda de Ur III e a ascensão dos amoritas.

8 - Antiga Babilônia: o apogeu (1900-1600 a.C.): Os amoritas no poder. A cidade de Mari e Hamurabi. Código de Hamurabi e seu governo. A escola babilônica de escribas. O conhecimento mesopotâmico nessa época em várias áreas. O fim da Babilônia com a invasão hitita e o período cassita.

9 - Império de Assur: colosso do 1° milênio (1800-700 a.C.): O primeiro império Assírio. As origens de Assur. As leis assírias. O início da migração dos arameus para a Mesopotâmia. A militarização do império assírio.

10 - Passando o bastão - um fim e um começo (depois de 700 a.C.): Sobre a ascensão do idioma aramaico. As origens do alfabeto. A criação da Biblioteca de Nínive. A descoberta do legado assírio por Austen Henry Layard. A relação tensa entre Assíria e Babilônia. A destruição do império assírio. O período Neo-Babilônico e a Babilônia nessa época. A conquista persa e o fim da civilização mesopotâmica e seu legado.

Exibir conteúdo dos capítulos 

Sobre a obra

Essa obra tem um título que pode levar a uma falsa conclusão. Em primeiro lugar, esse não é um livro sobre a cidade da Babilônia, mas um livro sobre toda a história da civilização mesopotâmica, desde o ano 4000 a.C. até a queda do império neobabilônico em 539 a.C.. Em segundo lugar, o período do apogeu da cidade da Babilônia não recebe nenhum destaque nesse livro. Na realidade, se o livro tivesse que ter um nome mais coerente, ele deveria se chamar "Suméria - A Mesopotâmia e o nascimento da civilização" Porque a metade do livro é dedicado ao período de dominação da civilização da Suméria (4000-2300 a.C.) e a outra metade é dedicada aos acádios de Sargão, aos babilônicos, aos assírios e aos neobabilônicos.

Como você pôde observar acima, a cidade da Babilônia, que ganha destaque no título, foi apenas uma das diversas cidades que se desenvolveram na região da Mesopotâmia, e esse livro trata de um período muito mais amplo. Começa discutindo temas ligados à pré-história e a mudança da vida nômade para uma vida sedentária, com a criação dos primeiros núcleos de povoamento que viriam a se desenvolver e formar as primeiras cidades por volta de 4000 a.C. Todos os cinco primeiros capítulos, são dedicados ao estudo do desenvolvimento da chamada civilização da Suméria, com as cidades de Uruk, Ur, Isin, Lagash, Umma, entre outras.

Além de discutir as questões políticas, o autor faz um excelente trabalho discutindo questões culturais, as grandes inovações tecnológicas da época, como a roda e o forno para a metalurgia; a organização econômica e social e o desenvolvimento da escrita cuneiforme, o primeiro sistema de escrita da humanidade.

O livro é relativamente bem escrito e de leitura agradável, algo que não surpreende já que ele é escrito por um jornalista. Essa profissão costuma ser capaz de escrever textos mais leves e cativantes do que os produzidos por historiadores.

Obviamente, os apaixonados pela Mesopotâmia podem esperar encontrar nesse livro informações sobre todos os temas mais populares, tais como: o código de Hamurabi, os selos cilíndricos, a religião e os zigurates, o dilúvio e a epopéia de Gilgamesh, o cuneiforme e os escribas, o militarismo assírio, além da presença dos judeus e as constantes referências a civilização Mesopotâmica no antigo testamento e sua relação com a realidade.

Um aspecto do livro que me atraiu muito, foi a descrição das descobertas arqueológicas na Mesopotâmia, que ocorreram a partir de meados do século 19 e início do século 20. Conhecer um pouco mais da história dos grandes arqueólogos, que tiveram um papel importante nessa história é realmente fascinante. Alguns nomes que surgem ao longo do livro são os de Leonardo Woolley, George Smith, Emilio Botta, Austen Henry Layard e Robert Johann Koldewey, entre outros.

O autor também faz muitas referências a fontes primárias, como tabletes de argila com texto em cuneiforme e obras de artes que revelam aspectos da mentalidade da época. O uso de fontes primárias é sempre um ponto positivo em obras de História.

O livro possui cerca de 16 páginas com ilustrações em preto e branco espalhadas ao longo do volume. Há também vários mapas colocados no início de quase todos os capítulos.

Os graves problemas da obra

Mas há também muitos aspectos negativos nessa obra. Nas primeiras páginas do livro há uma frase em destaque, que diz muito sobre o conteúdo do livro:

"A história que não instrumenta as preocupações atuais equivale a pouco mais que um antiquarismo autogratificante." Quentin Skinner, professor emérito de história moderna da Universidade de Cambridge; aula inaugural, 1997.

Essa frase não me chamou atenção no começo, mas conforme eu avançava na leitura, percebi porque o autor achou que essa frase seria interessante.

Paul Kriwaczek, autor do livro, é um jornalista que acreditava que a história só fazia sentido se os eventos do passado fossem constantemente comparados com os do presente. E isso é algo que ele faz incessantemente ao longo de todo o livro, citando eventos da guerra do Kuwait e do Iraque, atitudes do antigo líder Saddam Hussein, comparando a antiga Suméria a URSS, comparando realizações de líderes do século 20 com líderes mesopotâmicos do Segundo Milênio a.C..

Essa tentativa constante de encontrar paralelos na história recente, torna a escrita forçada e leva inevitavelmente a erros, uma vez que na busca por confirmar uma ideia pré-concebida se distorce o passado para que ele se encaixe nessa visão. Com certeza não é algo recomendado ao analisar a história.

Isso não foi algo que me irritou tanto na primeira leitura em 2018, mas dessa vez eu considerei isso um aspecto muito desagradável da obra. Algumas passagens são tão forçadas e absurdas, que eu não sabia se ficava com pena do autor por ter escrito, ou de mim por estar perdendo meu tempo lendo aquilo.

Ver alguém comparar a Uruk do 4° milênio ou Ur III (c. 2094-2047 a.C.) com a URSS, é algo que faz qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento histórico ter vontade de arrancar os cabelos.

Além disso, um dos maiores defeitos do livro é a falta de datas. Ao longo da obra o autor praticamente não cita datas, mesmo quando fala de eventos muito específicos ligados a um determinado rei, as datas, na maior parte do tempo, não são referenciadas. Esse é um traço bastante irritante dessa obra e que não contribui em nada para uma melhor compreensão do tema.

Também chama atenção ao longo do livro a falta de referências para as informações, todas elas se encontram no fim do livro nas notas bibliográficas. Normalmente os livros costumam ter pequenos números sobre as informações indicando a nota específica no final do livro (assim12). Esse livro não possui isso, o que dificulta muito as consultas às notas, porque toda vez que o autor citava uma fonte (e eu tinha interesse de saber qual era) eu precisava ir até as notas e ficar procurando lá dentro do texto qual era a referência, até encontrar alguma que fizesse sentido, porque elas não estavam identificadas.

As ilustrações da capa

Só um último comentário sobre as ilustrações da capa. A primeira delas é um desenho de A.H. Layard entitulado "Os Palácios de Nimurd restaurados", feito a partir de um rascunho de James Fergusson em 1853. A segunda ilustração da capa é uma foto do friso dos arqueiros da guarda real persa de Dario, em Susa. O estilo da arte é parecido com o realizado nas muralhas da cidade Babilônia, é provável que tenha sido obra de artesãos babilônicos, já que Dario trouxe especialistas de todo império para construir seu palácio sem Susa, inclusive há registros de trabalhadores babilônicos.

The Palaces at Nimrud Restored. Via Wikimedia Commons. Frisos do palácio de Dario (550-486 a.c.) em Susa. Museu de Pérgamo, Berlim.

Nessa página você ainda encontra muitas outras informações que lhe permitirão ter uma visão mais completa da obra: acima dessa resenha você verá o link para fotos da obra e para as minhas anotações de leitura, com detalhes profundos do seu conteúdo. O livro está disponível na Library Genesis, ou pode ser comprado pesquisando pelos links que disponibilizamos logo acima.

Resenha publicada em 30/05/2022.

Foto do membro da equipe: Moacir Führ

Escrita por

Moacir Führ

Moacir tem 35 anos e nasceu em Porto Alegre/RS. É graduado em História pela ULBRA (2008-12) e é o criador e mantenedor do site Apaixonados por História desde 2018.

Paul Kriwaczek

Jornalista. Nascido em Viena em 1937, formou-se em odontologia em Londres e passou uma década trabalhando no Irã e no Afeganistão. De lá fez extensas viagens pela Ásia e pela África, antes de seguir carreira na TV e no jornalismo. Autor de Yiddish Civilisation e In Search of Zarathustra, era fluente em oito idiomas (entre eles o persa e o híndi) e foi diretor, roteirista e produtor da BBC por mais de 25 anos.

Jornalista

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