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Uma Introdução à História

Livros > Teoria da História  |  2 mil visualizações

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Capa do livro Uma Introdução à História, de Ciro Flamarion Cardoso
Autor: Ciro Flamarion Cardoso
Páginas: 141
Editora: Brasiliense
Ano da edição: 1992
Idioma: Português
Skoob: Acessar

Sinopse:

A velha História narrativa, patriótica enaltecia falsos heróis e criava mitos, contribuindo para a preservação das estruturas vigentes. A História "nova", com seu enfoque globalizante e sua ênfase no social, convém muito mais à elaboração de pesquisas e a um ensino eficiente. Para os jovens historiadores brasileiros, a renovação das perspectivas e uma redefinição profissional adequada são objetivos importantes: trata-se de adquirir as ferramentas teórico-metodológicas que lhes permitam cumprir, profissional e efetivamente, a sua função social.


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Análise do livro

CARDOSO, Ciro Flamarion. Uma Introdução à História. São Paulo: Brasiliense, 1992.

Uma Introdução à História é uma obra lançada originalmente em 1981 e voltada para o estudo da História como área de conhecimento. É uma obra para historiadores e para estudantes de graduação em História.

Meu primeiro comentário sobre ela é o seguinte: Não se deixe enganar por esse título inocente. Essa não é uma obra de caráter introdutório! O título mais apropriado seria A Ciência da História e o seu método.

Se você nunca leu nada sobre a História da Historiografia, e não sabe nada sobre as discussões que repercutem no cenário da Teoria da História, essa não é uma obra para você. Esse livro é muito complexo e trata de algumas questões bastante complicadas, que exigem um bom conhecimento nessa área. Se você realmente está começando, e quer uma obra introdutória, leia o livro O que é História? de Vavy Pacheco Borges.

O livro também chama atenção por uma linguagem excessivamente rebuscada. O autor até se viu obrigado a criar ao final do livro uma seção Glossário, para assim esclarecer o significado de termos como axioma, estocástico, silogismo, etc. Esse é um ponto que torna a leitura bastante cansativa.

Essa obra tem três temáticas principais, vou discutí-los separadamente para tornar a análise mais clara:

  • A História é uma Ciência?
  • O método científico e sua aplicação na História
  • Como funciona uma pesquisa em História?


A História é uma Ciência?

Ciro Flamarion Cardoso dedica muito tempo apresentando todas as possíveis respostas a essa pergunta. Porque essa, afinal, não é uma pergunta com uma única resposta possível.

O autor detalha a concepção de diversas áreas do conhecimento sobre a cientificidade da História. Para os cientistas "a História não é nem pode ser ciência pela incapacidade de testar os resultados" obtidos durante as pesquisas. Neopositivista, marxistas, cientistas sociais e historiadores, todos possuem visões diferentes sobre as capacidades de análise da História e os seus limites.

O próprio autor defende que "a conquista do método científico em História ainda está se elaborando, e que portanto a História é uma ciência em construção." (CARDOSO, 1992, p.12-13)

Para tentar compreender melhor essa questão o autor detalha o funcionamento do método científico.

O não cientificismo baseia suas conclusões em critérios subjetivos  (como o gosto pessoal), dogmáticos (critério da autoridade), intituitivos e pragmáticos (o que é útil).

A ciência difere dessa visão da realidade pois seu método se baseia em verificar, controlar e corrigir os novos conhecimentos mediante contraste com conhecimentos existentes, mais os fatos empíricos, através da realização de experiência controladas.

A seguir Flamarion esclarece passo a passo as etapas do processo científico: a coleta de dados ou fatos empíricos, a formulação de teses ou teorias gerais, a dedução das consequencias dessa ultima, e a verificação ou confirmação das teorias.

A partir de então, a obra começa a contar a história do desenvolvimento desse método e seus principais vultos, pessoas como Bacon, Descartes, Galileu, Newton, Leibniz, Locke, Whewell, etc. O autor realmente não perde tempo discutindo a vida das pessoas, apenas cita as suas contribuições para o tema.

Assim ele demonstra como o conhecimento se transformou de uma busca pela verdade absoluta, para a visão atual: a busca de conhecimentos prováveis e não seguros, e a acumulação de verdades parciais. Uma visão que se tornou lugar comum a partir do final do século 19.

O neopositivismo surgiu como um movimento de combate a essa visão dentro da História, enquanto o Materialismo Histórico (Marxismo) e a Escola dos Annales contribuiram para fortalecer essas ideias.

Nas páginas seguintes o autor foca naquilo que chama de História-disciplina, e detalha o seu desenvolvimento com essas três grandes correntes de pensamento: o Positivismo, o Materialismo Histórico e a Escola dos Annales. Ele dedica cerca de 25 páginas a esses temas, e essa é uma das partes mais interessantes do livro.

O método científico e sua aplicação na História

Essa seção faz uma crítica ao método da história tradicional e mostra as críticas e escrutínios pelos quais as fontes devem passar.

O autor descreve passo a passo as etapas do método de pesquisa: a colocação do problema, a construção do modelo teórico e invenção das hipóteses, a dedução das conseqüências particulares comprováveis das hipóteses, a prova das hipóteses, a introdução das conclusões obtidas no corpo teórico.

É uma parte bastante interessante do livro, mas seria ainda mais se o autor apresentasse exemplos práticos para cada uma das etapas, infelizmente as descrições de cada parte do processo são feitas em um nível abstrato.

Como funciona uma pesquisa em História?

Essa parte do livro, que começa a partir da página 81, é excelente para aqueles estudantes que estão começando a cursar a disciplina de Pesquisa em História na universidade. O autor mostra passo a passo como funciona uma pesquisa em História.

Primeiro, as partes de um projeto de pesquisa histórica são detalhadas: a formulação e justificação do problema, os objetivos, o quadro teórico, a formulação de hipóteses, a descrição das fontes e escolha do método, o cronograma de execução e a bibliografia. Cada uma dessas questões é discutida separadamente com um certo nível de profundidade, exceto a questão do quadro teórico, no qual o autor não se aprofunda.

O autor também esclarece que a principal dificuldade dos estudantes brasileiros é a etapa da formulação de hipóteses, pela qual ele culpa a falta de um ensino universitário de qualidade.

Nessa parte do livro, Flamarion também aborda o trabalho com fontes e arquivos, ferramentas de controle e gerenciamento de informações. Embora, nesse ponto, eu tenha ficado com algumas dúvidas, porque essas são as ferramentas e métodos da década de 80/90. O livro foi escrito antes da popularização do computador, do smartphone e da internet. Então, como não tenho muita experiência na área de pesquisa, fiquei curioso se esses métodos não sofreram alterações. Talvez o livro esteja ultrapassado nesse ponto.

No final o autor se dedica a detalhar o processo de síntese e redação de uma pesquisa histórica (uma dissertação, tese, etc). Falando de questões como listas de fontes e bibliografias, notas, anexos, peças justificativas, parte gráficas, e índices.

Essa obra também foi lançada em um formato diferente pela mesma editora Brasiliense, com a seguinte capa:

Resenha publicada em 11/10/2018.

Foto do membro da equipe: Moacir Führ

Escrita por

Moacir Führ

Moacir tem 34 anos e nasceu em Porto Alegre/RS. É graduado em História pela ULBRA (2008-12) e é o criador e mantenedor do site Apaixonados por História desde 2018.

Ciro Flamarion Cardoso

Ciro Flamarion Santana Cardoso (1942-2013) nasceu em Goiânia e cursou História na Universidade Federal do Rio de Janeiro, formando-se em 1965. Depois de lecionar dois anos na mesma universidade e na Universidade Católica de Petrópolis, empreendeu estudo de pós-graduação em História, concluindo em 1971 o Doutorado na Universidade de Paris X (Nanterre). Foi, em seguida, pesquisador do Programa Centro-Americano de Ciências Sociais, na Costa Risca (1971-1975) e no México (1976-1979). Algumas de suas obras incluem a série Domínios da História, A Cidade-Estado Antiga, Trabalho compulsório na antiguidade, Uma introdução à história, entre outras.

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