Conheça os principais zigurates da Antiga Mesopotâmia

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Reconstrução em 3D da aparência que teria tido o Zigurate da cidade da Babilônia.

Agora que já esclarecemos o que eram os zigurates, e discutimos a sua finalidade, iremos apresentar os principais zigurates da antiga Mesopotâmia e as suas condições atuais.

Zigurate de Ur

O zigurate de Ur é de longe o mais famoso de todos os zigurates, principalmente pelo fato de ser um dos mais bem conservados. O zigurate foi escavado nas décadas de 1920 e 1930 por Leonardo Wooley, que também foi o descobridor do Cemitério de Ur e do túmulo da rainha Puabi.

Sua construção foi iniciada durante a 3° Dinastia de Ur pelo rei Ur-Nammu (2112-2095 a.C), e terminada no reinado de seu filho, rei Shulgi (2095-2049 a.C).

O Zigurate de Ur e uma reconstrução em uma ilustração moderna. Autor desconhecido. Não temos certeza se realmente existia um templo no topo desse zigurate.Zigurate de Ur antes das escavações realizadas na década de 1920 e 1930.

Segundo Kriwaczek:

Hoje ela (a construção) parece meio estranha, como uma construção nova, mas apenas parcialmente concluída, uma vez que a parte inferior da ruína foi "restaurada" em meados do século XX pela Diretoria de Antiguidades do Iraque. (KRIWACZEK, 2018, p.198)

A estrutura tem cerca de 60 metros de largura por 45 metros de profundidade, e a parede do primeiro andar tem cerca de 15 metros de altura. Há estimativas de que a altura original do prédio era de 30 metros. A cidade de Ur ficava as margens do rio Eufrates.

Zigurate de Untash-Napirisha

Untash-Napirisha foi um rei elamita que viveu no século 14 a.C, ele foi o responsável por construir a cidade de Dur-Untash, a cerca de 40 km de Susa. Ela se situa no atual complexo de Chogha Zanbil, que fica a 50 km ao norte de Ahvaz, capital da província do Khuzistão, no Irã.

As ruínas do Zigurate de Al-Untash-Napirisha.Reconstrução feita por computador da provável aparência do Zigurate em seus dias de glória.As ruínas do Zigurate de Al-Untash-Napirisha, vista aérea.

A existência de um zigurate na cidade, é uma grande evidência da imensa influência cultural que a Mesopotâmia exercia sobre as civilizações do Oriente Próximo na antiguidade. O rei elamita decidiu construir um templo religioso em sua cidade, e usou como modelo os templos que existiam na Mesopotâmia.

Esse zigurate é um dos mais bem conservados do mundo, e possui uma característica única: a escada de acesso ao topo era interna.

Zigurate de Uruk

Zigurate construído por volta do ano 3200-3000 a.C. Acredita-se que era dedicado ao deus do céu Anu. A plataforma que sustentava o templo se elevava a uma altura de cerca de 12 metros e a superfície sobre o terraço media cerca de 45 x 50 metros. Os restos de uma elaborada construção, chamada de "Templo Branco", foram encontradas no terraço.

Reconstrução do templo feita pelo site artefacts. Leia mais detalhes sobre a reconstrução na sequencia do artigo.Ruínas do Zigurate de Uruk.

A reconstrução mostrada acima foi desenvolvida em 3D pelo site alemão Artefacts, especializado em reconstruções arqueológicas e ilustrações científicas.

O projeto foi realizado em 2012 a pedido da Dr. Margarete van Ess, do Instituto Oriental, Instituto Arqueológico Alemão (DAI), Berlim. Os resultados do trabalho foram apresentados em uma exposição sobre Uruk, chamada "Uruk - 5000 anos de uma mega cidade", no Museu de Pérgamo em Berlim, e posteriormente no Museu de Arqueologia LWL, de Herne, em 2013/14. Para mais fotos e informações do projeto, acesse a página em inglês clicando aqui.

Zigurate de DurKurigalzu

Dur-Kurigalzu fica na moderna cidade de Aqar-Qūf próximo a Bagdá. A cidade foi fundada pela dinastia Cassita que governou a região no século 14 a.C. Ela possuia, além de um zigurate, outros templos e um palácio real.

O zigurate tem uma altura de 52 metros e é um dos mais bem preservados do Iraque. A sua parte central se manteve de pé e foi durante séculos um ponto de referência para viajantes que cruzavam pela região. O local foi escavado pela primeira vez em 1811 e desde então mais de 100 tabletes em cuneiforme foram encontrados na cidade, e atualmente estão no Museu Nacional do Iraque.

A parte inferior do zigurate foi restaurada durante a década de 1970 como parte de um projeto de valorização da História pelo ditador Saddam Hussein. Sobre o zigurate, Roaf comenta:

Os restos erodidos e retorcidos do zigurate de DurKurigalzu dominam ainda a paisagem plana dos subúrbios da moderna Bagdá. Os viajantes antigos pensaram que se tratava das ruínas da Torre de Babel. De fato, o zigurate foi construído pelo rei cassita Kurigalzu no século XIV a.C. Seguia o típico plano meridional, com uma escada tripla que conduzia à parte superior do templo. As camadas de junco inseridas em cada sete fileiras de tijolos são visíveis nas linhas horizontais na parte de cima do templo. A parte de baixo está em restauração. (ROAF, 2006, p. 141)

Zigurate de Dur-Kurigalzu (moderna Aqar-Qūf, na província de Bagdá). As margens do rio Tigre.

Zigurate de Borsippa

Borsippa ou Birs Nimrud é um sítio arqueológico na Província da Babilônia, no Iraque. O zigurate é também conhecido pela alcunha Tongue Tower (Torre Língua), isso porque, durante muito tempo, se acreditou que essas eras as ruínas da famosa Torre de Babel, ligada ao mito judaico-cristão do surgimento dos diversos idiomas.

Borsippa era uma cidade que possuia uma relação de dependência com a Babilônia. O templo  era dedicado ao deus Nabu, e foi provavelmente construído no período Neo-Babilônico, no século 7 a.C.

As escavações da região foram realizadas por Henry Creswicke Rawlinson em 1854, e posteriormente, em 1879 a 1881, por Hormuzd Rassam. Em 1902 foram realizadas escavações pelo arqueólogo alemão Robert Kodlewey.

As ruínas do Zigurate de Borsippa.

Zigurate da Babilônia

Quem nunca ouviu falar da Torre de Babel? Alguns estudiosos defendem que o famoso zigurate da Babilônia - reconstruído no período Neo-Babilônico, durante o cativeiro judeu na Babilônia - influenciou a criação da estória do Gênesis, que fala sobre a torre construída pelos povos de Babel para alcançar os ceús.

O zigurate da Babilônia era chamado Etemenanki, expressão suméria que significava Templo da Fundação do Paraíso e da Terra. Não sabemos exatamente quando ele foi construído, mas existem evidências que apontam para a sua existência desde o segundo milênio a.C. No entanto, o zigurate só se tornou famoso a partir da sua reconstrução, realizada pelo rei Nabucodonosor II no século 7 a.C.

Uma tabuinha de 229 a.C. encontrada em Uruk, conhecida como The "Esagila" tablet (veja galeria abaixo), trazia exemplos de cálculos matemáticos usando as dimensões do Etemenanki como exemplo. Segundo ela, o zigurate da Babilônia teria tido uma altura de 90 metros. Clique aqui para ver a página relative a essa tabuinha no Museu do Louvre.

O zigurate da Babilônia também é citado por Heródoto na sua obra, Histórias. confira abaixo:

(O templo) É um quadrado com dois estádios de largura, no meio do qual se ergue uma torre maciça de um estádio (cerca de 400 metros) de comprimento por outro de largura. Sobre essa torre eleva-se outra, e sobre essa segunda, outra ainda, e assim por diante até completar oito. Do lado de fora construiu-se uma escada em caracol, que dá acesso às oito torres. Essa escada é provida de postos de parada, com cadeiras para descanso dos que sobem. Na última torre encontra-se uma grande capela, e nesta um amplo e bem guarnecido leito, tendo ao lado uma mesa de ouro. Não se vêem estátuas. Ninguém ali passa a noite, a menos que seja alguma filha da terra, eleita pela divindade, como dizem os Caldeus, sacerdotes dessa divindade. (HERÓDOTO, Histories 1.181)

Reconstrução do Zigurate da Babilônia feita por computador pelo projeto Babylon 3D, mais informações abaixo.Reconstrução do Zigurate da Babilônia feita por computador pelo projeto Babylon 3D, mais informações abaixo.Reconstrução do Zigurate da Babilônia feita por computador pelo projeto Babylon 3D, mais informações abaixo.Cena do filme 'Alexandre' de 2004. Alexandre o Grande contempla a cidade da Babilônia, o zigurate se destaca ao fundo, na parte de baixo da cidade aparece o Portão de Ishtar. A Babilônia foi tomada por Alexandre o Grande em 331 a.C., após a vitória dos exércitos macedônios contra os persas em Gaugamela.Filme 'Alexandre' de 2004. Detalhe do zigurate da Babilônia.Tabuinha encontrada em Uruk de 229 a.C., conhecida como The 'Esagila' tablet. Museu do Louvre.

Atualmente o zigurate não existe mais, ele foi abandonado no século 4 a.C. e, embora algumas tentativas de reconstrução tenham sido planejadas, primeiro por Alexandre o Grande, e depois pelo rei selêucida Antíoco I, a construção acabou sendo gradativamente destruída, até não restar nenhum vestígio dela.

A reconstrução acima foi realizada pelo projeto Babylon 3D entre março e maio de 2013 para uma exibição sobre a Mesopotâmia, no Musel Real de Ontário. A Babilônia recriada nessas imagens é a Babilônia de Nabucodonosor II, do século 6 a.C. Para mais fotos acesse o site.

Confira nossa galeria abaixo para fotos de outros zigurates da antiga Mesopotâmia.

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Zigurate de Nippur
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Zigurate de Nippur

O templo e o zigurate, dedicados ao deus Enlil, são as estruturas mais importantes do sítio arqueológico de Nippur. Foram construídos por volta do ano 2100 a.c. Segundo Roaf a casa que se vê no topo do zigurate foi construída por 'escavadores norte-americanos (...) por volta do ano 1900 como refúgio contra as tribos locais.' (ROAF, 2006, p.79)

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Fontes bibiliográficas:

Artefacts - Scientific Illustration & Archaeological Reconstruction. The White Temple. Acesso em: 15 set. 2018.
HERÓDOTO. Histórias. eBooksBrasil. 2006.
KRIWACZEK, Paul. Babilônia - A Mesopotâmia e o nascimento da civilização. Rio de Janeiro: Zahar, 2018.
LEICK, Gwendolyn. Mesopotâmia - A Invenção da Cidade. Rio de Janeiro: Imago, 2003.
ROAF, Michael. Grandes Civilizações do Passado: Mesopotâmia. Barcelona: Folio, 2006

Artigo publicado em 29/08/2018.



Foto de membro da equipe do site: Moacir Führ

Escrito por

Moacir Führ

Moacir tem 33 anos e nasceu em Porto Alegre/RS. É graduado em História pela ULBRA (2008-12) e é o criador e mantenedor do site Apaixonados por História desde 2018.

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