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Grandes civilizações do passado: Mesopotâmia

Livros > Mesopotâmia  |  1 mil visualizações

Capa do livro Grandes civilizações do passado: Mesopotâmia, de Michael Roaf
Autor: Michael Roaf
Título original: Cultural Atlas of Mesopotamia
Páginas: 262
Editora: Folio
Ano da edição: 2006
Idioma: Português
Skoob: Acessar

Sinopse:

Desde o final da última Era Glacial e até surgirem as civilizações da Grécia e de Roma, as sociedades mais avançadas viveram no Oriente Médio. Foi ali que se produziu a transição fundamental da caça e da colheita para a agricultura, onde se ergueram os primeiros templos e as primeiras cidades, onde pela primeira vez se trabalhou o metal, se escreveu e apareceram os reinos e os impérios. O coração do antigo Oriente Médio era a Mesopotâmia, com suas férteis planícies irrigadas pelo Eufrates e pelo Tigre. O poder dos diversos reinos mesopotâmicos estendeu-se muito além das planícies baixas em diferentes períodos, estabelecendo contato com regiões vizinhas, que também contribuíram significativamente para a civilização dessa região. Este livro procura descrever os aspectos principais das conquistas do homem na Mesopotâmia e no antigo Oriente Médio, tendo a geografia da área como pano de fundo.


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Análise do livro

ROAF, Michael. Grandes Civilizações do Passado: Mesopotâmia. Barcelona: Folio, 2006

A obra "Mesopotâmia" da coleção Grandes Civilizações do Passado foi o livro que li essa semana. Trago agora para vocês os meus principais comentários.

Primeiro os pontos positivos, e existem muitos: O livro é bastante técnico, e é escrito por um arqueólogo especializado em estudos sobre essa região. A abundância de informações que estão presentes na obra é absurda. O livro cobre praticamente todos os tópicos que você pode esperar, e muitos que você nem espera.

A obra também está recheada de mapas, são mais de 40! E eles ajudam muito na compreensão das informações. Há, de fato, mapas tão maravilhosos, que você fica com vontade de dedicar alguns minutos só para analisar cada detalhezinho.

O livro também possui várias Seções Especiais (confira as fotos acima), e é nelas que estão os melhores textos e ilustrações. Essas seções especiais, espalhadas ao longo do livro, tratam daqueles que são os temas mais interessantes: temas ligados a cultura e às principais contribuições dessa civilização.

Também é necessário elogiar as ilustrações. O livro possui mais de 200 fotos muito bem organizadas e identificadas, e há muitos comentários úteis ao lado de todas essas fotos, mapas e ilustrações. Não deixe de lê-los!

Gostei bastante do fato de que o autor, um arqueólogo de formação, dá bastante destaque aos achados arqueológicos da região. É algo que também tem uma relevância para mim, principalmente quando do estudo das civilizações da antiguidade.

São esses os pontos positivos. Agora vamos para os negativos, e também há vários pontos irritantes.

O foco principal do autor nos primeiros capítulos é descrever em minúcias os achados arqueológicos de civilizações pré-históricas da região. E conforme ele avança no tempo, e as fontes vão ficando melhores, essas descrições arqueológicas vão se convertendo em longos e tediosos relatos de eventos políticos, batalhas, golpes palacianos e nomes de incontáveis reis.

Eu até gosto de história política, não me entenda mal, mas quando a gente fala das civilizações da antiguidade, civilizações que duraram mais de 3 mil anos, querer descrever eventos políticos de cada um dos reis é maçante. O importante é realmente identificar certos padrões, e tentar trabalhar o caráter humano. Tentar compreender o porque dos líderes agirem dessa maneira para, assim, entender a mentalidade da época.

Essa é a minha principal crítica a essa obra. O autor apresenta uma quantidade gigantesca de informações, mas tem dificuldade (ou desinteresse) de produzir um texto de fácil compreensão que analise o lado humano da sociedade mesopotâmica.

O texto é muito técnico. É uma leitura, em muitos momentos, cansativa.

Na primeira metade do livro o autor utiliza termos técnicos como "Dinástico I Inicial" ou "Ninivita 5", "Período Ubaid", e não se dá ao trabalha de explicar esses termos. É claro que, para alguém com um mínimo de conhecimento técnico de arqueologia, é fácil supor. Mas o problema é que a forma como o texto é construído torna a compreensão bastante difícil.

Além disso, no começo do livro o autor se perde em descrições técnicas de sítios arqueológicos em diversas cidades diferentes. Alguns pontos são até interessantes, mas falta uma conclusão. Falta a habilidade muitas vezes demonstrada por jornalistas que se aventuram na história: a capacidade de pegar todos esses dados e fazer suposições e tentar recriar o período e entender como era o dia-a-dia desses seres humanos, que viviam nessas condições e estavam mergulhados nessa cultura.

A impressão que fica é que o autor tem aquele medo clássico dos historiadores: o temor de ser julgado por seus pares.  Bloqueado por esse medo muitos historiadores deixam de criar hipóteses, conjecturas. Mas esse é o lado fascinante da história, tentar raciocinar e fazer a pergunta mais importante: Baseado nas informações que temos, como era essa sociedade?

Como eu já mencionei anteriormente, o autor cobre praticamente todos os tópicos possíveis. Mas a obra têm, inegavelmente, três tópicos principais:  a pré-história do Oriente Médio, a civilização da Suméria e os Assírios. Esses são os temas trabalhados em 136 páginas do total de 223.

Um problema muito grave da obra, pelo menos nessa versão, é o fato de que o Indice Analítico, que lista todos os temas e as páginas em que eles são tratados, parece estar completamente errado. Isso é algo que dificulta muito a pesquisa.

Um ponto que me decepcionou foi a ausência de mais informações sobre os códigos de leis criados nessa época. Quando o assunto é Mesopotâmia, esse é um tema muito interessante, já que temos registros de diversos conjuntos de leis da época, como o código de Hamurabi e o código de Ur-Nammu. É uma pena que o autor não tenha tido interesse de trabalhar essas  questões mais a fundo.

Sobre as ilustrações da capa e contracapa : a foto de capa mostra o zigurate de Untash-Napirisha, da civilização Elamita do Irã. E a imagem na contracapa mostra um detalhe do Estandarte de Ur.

O Estandarte de Ur. Cerca de 2500 a.C. Museu Britânico. N° 121201

A mesma obra também pode ser conferida nessa versão em dois volumes publicada no Brasil pela Editora Del Prado (foto abaixo). A obra é exatamente a mesma mas foi publicada com o título Grandes Impérios e Civilizações. Um fato estranho é que, mesmo que tenhamos tantas imagens de fontes materiais e ruínas da antiga Mesopotâmia, a Editora Del Prado decidiu usar como capa da obra duas imagens que não tem nada a ver com a essa civilização. A capa do primeiro volume é um relevo da cidade persa de Persépolis (Lion and deer on bas-reliefs of Persepolis, Iran). E a capa do segundo volume são ruínas de um túmulo no monte Nemrut (Nemrut Dağ) no sul da Turquia, que datam do período Helenístico.

A mesma obra também pode ser conferida nessa versão em dois volumes publicada no Brasil pela Editora Del Prado. A obra é exatamente a mesma mas foi publicada com o título Grandes Impérios e Civilizações.

Resenha publicada em 30/08/2018.

Foto do membro da equipe: Moacir Führ

Escrita por

Moacir Führ

Moacir tem 33 anos e nasceu em Porto Alegre/RS. É graduado em História pela ULBRA (2008-12) e é o criador e mantenedor do site Apaixonados por História desde 2018.

Michael Roaf

Arqueólogo britânico nascido em 1947. É especializado em assiriologia e estudos sobre o Irã antigo. Estudou arqueologia da Ásia ocidental na Universidade de Londres e fez seu doutorado na Universidade de Oxford. Foi diretor da Escola Britânica de Arqueologia no Iraque (1981-1985) e catedrático adjunto do Departamento de Estudos do Oriente Próximo da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Também foi professor de arqueologia da Universidade de Munique, na Alemanha.

Arqueólogo(a)

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