O Mundo Antigo: Economia e Sociedade

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Capa do livro O Mundo Antigo: Economia e Sociedade, de Maria Beatriz B. Florenzano
Autor: Maria Beatriz B. Florenzano
Páginas: 104
Editora: Brasiliense
Ano da edição: 1982
Idioma: Português
Skoob: Acessar

Sinopse:

Do império greco-romano ficou uma imagem ornamentada, repleta de frases de sabedoria e obras de arte, mas, quase sempre, desprovida de bases econômicas e dinamismo histórico. É precisamente contra este vazio que surge este livro de Maria Beatriz Florenzano. As relações de propriedade, as formas de exploração da terra, os vínculos entre senhor e escravo que, ao longo de quinze séculos de Antiguidade, constituíram os alicerces da riqueza e da cultura greco-romanas, revelam-se aqui despidos de todos os enfeites, numa linguagem acessível e saborosa.


Imagens

Análise do livro

FLORENZANO, Maria Beatriz B. O Mundo Antigo: Economia e Sociedade. São Paulo: Brasiliense, 1982.

Publicado originalmente em 1982, essa obra faz parte da série Tudo é História, uma coleção de livros introdutórios lançados pela editora Brasiliense. O livro é muito curto, apenas 104 páginas, e pode ser lido tranquilamente em 1, 2 dias.

A autora Maria Florenzano é especialista na arqueologia das civilizações mediterrâneas, que são o foco dessa obra. O livro é dividido em duas seções (Grécia e Roma), e se propõe discutir quatro questões: o caráter do regime de propriedade, as formas de exploração da terra, as formas de exploração do trabalho e a escravidão e a relação entre livres e escravos.

É uma obra muito interessante, que mostra como, na antiguidade greco-romana, a propriedade da terra era sinônimo de prestígio e poder. O livro destaca um ponto básico: por mais que as sociedades da antiguidade tenham visto a ascensão das cidades, a economia permanecia totalmente baseada na agricultura e no campo.

Alguns trechos da obra tem um caráter materialista histórico, com citações de Marx, Engels e Perry Anderson. Mas autores de outras correntes também são constantemente citados, como Moses Finley e Raymond Bloch.

Grécia

Essa parte da obra é dividida em três temas: A Grécia descrita por Homero, o Périodo Arcaico e o Período Clássico.

Na primeira parte da obra a autora fala sobre a obra de Homero (A Íliada e A Odisséia) e como ela representa uma mistura de elementos de três sociedades distintas (a micênica, a da Idade das Trevas e a do Período Arcaico).

O livro parte da suposição de que a sociedade descrita na obra seja similar a do período de transição entre a Idade das Trevas e o Período Arcaico, época que Homero teria vivido. Então a obra apresenta os detalhes dessa sociedade, com sua estrutura centrada no oikos (casa/família), e o papel dos escravos, mulheres, tetas, demiurgos, aristocratas, etc.
 
O Período Arcaico assiste ao surgimento da Pólis, a cidade-Estado grega. A autora descreve o processo de formação da pólis, o desenvolvimento das instituições, os conflitos de classe, a colonização grega do Mediterrâneo e o surgimento da democracia. Na maior parte do tempo é descrito o caso da cidade de Atenas.

O Período Clássico é apresentado a partir da visão da estrutura econômico-social das duas cidades mais importantes: Atenas e Esparta.

Importante destacar que todo o livro foca na organização social, mas sem perder de vista o aspecto econômico. A obra destaca o papel da agricultura, que sempre foi a atividade econômica principal das sociedades da antiguidade.

Roma

O capítulo dedicado a Roma Antiga é dividido em três partes: Realeza, República, Império. As três divisões padrões no estudo dessa civilização. Todo o capítulo chama atenção para o desenvolvimento das seguintes questões: o conflito agrário, a luta de classes entre patrícios e plebeus (aristocratas e o resto do povo), e as várias formas pelas quais se deu a exploração da terra e do trabalho nessa sociedade.

A autora chama a atenção para as instituições da gens, da família e dos clientes. Durante o período republicano, o livro destaca os conflitos agrários, as dificuldades enfrentadas pelos pequenos proprietários de terra, a situação dos escravos e a visão romana sobre àquelas que eram consideradas "atividades inferiores", diga-se, o comércio e os serviços.

O período Imperial assiste primeiramente as reformas de Augusto, que minimizam os conflitos. Mas ao longo da século 3, a crise econômica e o aumento de impostos contribuí para o crescimento dos latifúndios e o gradativo declínio do império do ocidente. A autora apresenta alguns comentários interessantes de outros autores, que falam sobre como o sistema escravista desestimulou os avanços tecnológicos e o aumento da produção.

Resenha publicada em 24/02/2019.

Maria Beatriz B. Florenzano

Formada em História pela FFLCH da Universidade de São Paulo (1973), onde obteve seu título de Mestre em Arqueologia Mediterrânea (1978). Participou de escavações arqueológicas no México (1972/1973) e na Amazônia (1973). Lecionou no ensino secundário em São Paulo de 1974 a 1981. Foi pesquisadora arqueológica no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo.

Historiador(a)
Foto do membro da equipe: Moacir Führ

Escrita por

Moacir Führ

Moacir tem 32 anos e nasceu em Porto Alegre/RS. É graduado em História pela ULBRA (2008-12) e é o criador e mantenedor do site Apaixonados por História desde 2018.

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